O que é o Design Sprint

Tempo de leitura: 7 minutos

O que é Design Sprint

O Design Sprint é uma metodologia participativa. Diferente de encomendar um trabalho para uma consultoria, no Design Sprint as equipes da empresa/produto criam juntas. Portanto, não existe Design Sprint se os integrantes das equipes não têm disponibilidade para participar.

Criado por Jake Knapp, funcionário do GV (antigamente chamado de Google Ventures) e aprimorado com a ajuda de John Zeratsky, Braden Kowitz e Michael Margolis, o Design Sprint é uma maneira informada e ágil de conceituar e tangibilizar uma ideia, um produto, suas implementações e funcionalidades em um curto espaço de tempo. São cinco dias de intenso trabalho. Durante esse período, juntam-se práticas de estratégia de negócios, inovação, ciência do comportamento, design thinking, entre outras.

A ideia é comprimir em uma semana os meses de discussões intermináveis e idas e vindas de um projeto. Quem nunca passou por isso, né?! Ao final da semana, temos um protótipo já testado e aperfeiçoado. O sprint confere às empresas o superpoder de construir e testar quase qualquer ideia em apenas 40 horas!

Google Design Sprint: como funciona e como aplicar no seu projeto

A essa altura você já deve ter ouvido falar da tal Google Design Sprint: um processo de design “express” onde um grupo de pessoas se reúne por 5 dias para responder questões críticas de negócios por meio de design, prototipagem e testes das ideias com os usuários.

O processo foi desenvolvido e anunciado pela Google Ventures, um braço do Google focado em testar e acelerar ideias que ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento.

Sendo que a principal vantagem desse processo de 5 dias em relação a tantas outras metodologias é que ele pega um atalho bastante vantajoso: ao invés de esperar para lançar um MVP (Minimum Viable Product) para descobrir se a ideia é boa ou não ― processo que pode levar vários meses ― o Design Sprint foca especificamente na validação da ideia com usuários e encurta o processo para 40 horas de trabalho.

Muito melhor saber se a ideia vai funcionar ou não ANTES de ter que passar pelo trabalho todo de desenvolvê-la por completo, certo?

5 dias para criar, desenhar, prototipar e testar uma ideia

Para quem é recomendado?

  • Startups em estágio inicial (early stage);
  • Ideias que ainda precisam ser amadurecidas;
  • Projetos internos.

Quando usar?

  • Antes de investir tempo e dinheiro em uma startup ou ideia;
  • Antes de um time ágil recém-formado começar a trabalhar em um projeto;
  • Antes de começar a desenhar a fundo uma funcionalidade complexa.

Quem envolver no sprint?

  • Pelo menos um Designer;
  • Um Stakeholder (CEO da startup, dono da grana, dono da ideia, dono da bola);
  • Um Product Manager, uma pessoa que conhece bem os usuários do produto;
  • Alguém com um background mais técnico (Desenvolvedor);
  • Além, é claro, de um facilitador para comandar as sessões coletivas.

Como funciona o Design Sprint?

Antes de começar o Design Sprint, você precisa escolher o problema a ser resolvido. Quando estiverem todos alinhados, reúna o time em uma sala, bloqueie o calendário de todo mundo e garanta alguns materiais básicos para usar naquela semana, como post-its, caneta, papel etc.

Segunda-feira: UNPACK/MAP

No primeiro dia do sprint, seu time vai exteriorizar tudo o que eles sabem sobre a ideia. A expertise normalmente está espalhada em várias cabeças, e ter certeza que todo mundo está alinhado é fundamental para o sucesso do programa. Desenvolvedores sabem de coisas que os designers não sabem. Os stakeholders sabem de coisas que os Product Managers desconhecem —  e assim por diante.

E, para facilitar esse processo de “unpack”, você pode propor atividades mais específicas para o grupo. Expressar a voz do consumidor, desconstruir o produto atual e definir as métricas de sucesso, são alguns exemplos.

Terça-feira: SKETCH

No segundo dia, todo mundo vai rabiscar as ideias. As pessoas vão trabalhar individualmente colocando as soluções para aquele problema/ideia no papel. A ideia é conseguir colocar o máximo possível no papel. No começo, sem muita discussão em grupo.

Depois que todo mundo rabiscou, é hora de o grupo todo ir olhando para cada um dos sketches e discutir como aquilo poderia funcionar. No fim, existe um sistema estruturado para criticar o trabalho e votar nas melhores soluções. Claro, tudo sempre sendo feito muito democraticamente.

Quarta-feira: DECIDE

Na quarta-feira, vocês já terão pelo menos uma dúzia de ideias para escolher. O que é ótimo, mas é também um problema . Pois vocês não conseguirão prototipar 12 ideias em um dia só. Então o objetivo do terceiro dia é simplesmente filtrar as ideias, refiná-las, e no fim escolher uma única ideia para ser prototipada.

Jack Knapp, criador do Design Sprint

Quinta-feira: PROTOTYPE

Quinta-feira é o dia de prototipar. É preciso ser ridiculamente produtivo. Então é importante escolher ferramentas de prototipagem com as quais a equipe já esteja habituada a trabalhar.

Também é importante planejar todas as atividades do dia logo cedo, incluindo quem faz o quê e de que hora a que hora tal demanda será feita. A ideia é montar um protótipo daquela ideia até o fim do dia.

Sexta-feira: TEST

Sexta-feira é dia de mostrar os protótipos para os potenciais usuários do produto, em sessões individuais. Então, o produto é apresentado para o usuário, ele interage com algumas telas e vai dando feedback em tempo real sobre o que gosta e o que não gosta.

Ao fim do dia, vocês se reúnem para discutir o feedback que receberam dos usuários e decidem se a ideia sobreviverá ou não.

Para vocês terem uma ideia do quão eficiente é esta metodologia, Red Bull e Uber foram duas startups que utilizaram o Design Sprint e obtiveram sucesso.

Brainstorms são divertidos, mas não funcionam

O Google Design Sprint é uma ótima ideia para agilizar o trabalho de times de design e conseguir validar ideias antes que muito tempo ou dinheiro sejam investidos nela. Mas o interessante é observar também o porquê de a ideia do Design Sprint ter surgido em primeiro lugar.

Conta Jake Knapp, criador e evangelista do Design Sprint, que ele costumava usar sessões de brainstorm na Google para gerar ideias e soluções para determinado problema. “Brainstorms são divertidos. As pessoas terminam o dia cansadas, mas animadas, donas de uma pilha de post-its cheios de ideias para resolver o problema. Mas as ideias que surgiam dessas sessões de brainstorm nunca iam a lugar nenhum. Não é que estivéssemos tendo ideias ruins . A maioria das ideias era boa, na verdade. Mas o problema é que as melhores ideias vinham surgindo de outro lugar que não ali.”

Segundo Jake Knapp, as melhores ideias tendem a vir de indivíduos, não de grupos. Grupos têm uma dinâmica onde não necessariamente as melhores ideias sobrevivem, mas as ideias que são melhores vendidas ou contadas com mais empolgação.

Outro problema dos brainstorms é que se espera que as ideias sejam eleitas por consenso. Mas consenso nem sempre escolhe as ideias mais corajosas ou as mais íntegras. Consenso costuma escolher o caminho mais fácil.

Um outro ponto positivo do Design Sprint é a limitação de tempo. Sim, pode parecer contraditório (menos tempo para fazer o trabalho geralmente significa mais sofrimento), mas ao mesmo tempo essa restrição deixa os membros do time mais motivados por terem sempre a sensação de estarem movendo rapidamente o projeto.

Portanto, burocracia é uma palavra que tem que passar longe da sua empresa, caso você esteja pensando em organizar um Design Sprint com o seu time.

Conclusão

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Até a próxima!

Texto elaborado com a colaboração de Marcelo Sá, um dos especialistas do método Design Sprint da Logo Aceleradora.

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